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Instituições enfrentam problemas com Fies

Cerca de 93% das instituições particulares de ensino superior do País que participam do novo Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior (Fies), programa do MEC que dá crédito aos universitários, enfrentam problemas com o processo. Os dados são do sindicato das instituições particulares de ensino superior (Semesp). O Brasil tem 2.069 instituições privadas - 55% utilizam o Fies, que foi modificado em 2010. Os juros caíram para 3,4% e o processo parou de exigir fiador para o contrato de alunos com renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo. O prazo para quitar a dívida foi ampliado. As inscrições para este ano começaram na semana passada. Entre as dificuldades estão problemas de adesão ao SisFies (sistema do programa), falta de informações e atendimento falho ou inexistente no MEC, distribuição de vagas, liberação dos certificados e desconhecimento dos operadores nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF) - o que motivou denúncias à Defensoria Pública da União em São Paulo, que também recebeu queixas do Banco do Brasil      (BB). O BB afirma que respondeu à DPU. A CEF diz que o MEC responde pelo Fies.

Segundo o Semesp, os problemas travam o atendimento de cerca de 75 mil alunos. Além disso, o valor total de certificados atrasados pelas instituições em decorrência das dificuldades supera R$ 550 milhões. O levantamento foi realizado em outubro e, segundo a entidade, o número não se modificou desde então. As entidades, faculdades e o MEC se reuniram ontem em Brasília para discutir como superar as dificuldades. "Tanto os estudantes quanto as instituições estão pouco informados do potencial (de crescimento) que a nova lei permite", disse o ministro Fernando Haddad, que anunciou a criação de um grupo permanente de trabalho para discutir os programas. Em relação aos problemas descritos pelo Semesp, o MEC afirma que não há falhas no atendimento ou no SisFies e que os certificados são liberados todos os meses, assim como o pagamento de tributos e a recompra de títulos.

No entanto, o MEC reconhece que os módulos de financiamento para alunos que trocaram de instituição ou de curso ainda não está disponível. A recomendação para as instituições é para que confirmem as matrículas. Para Adriano Souza, presidente do Fórum dos Executivos Financeiros para as Instituições de Ensino Privadas do Brasil, falta efetividade em prazos certos. "É preciso gestão efetiva", diz. As dificuldades reverberam nos alunos. "A Caixa não recebe minha documentação porque tenho restrições", diz Luis Alberto Santos, de 46 anos, aluno de Direito da Uniesp. A Uniesp tem cerca de 300 universitários com problemas. Cerca de 20 alunos de Medicina da Anhembi-Morumbi não conseguem renovar o Fies porque a faculdade só emite um tipo de documento não aceito pela Caixa - o aditamento não simplificado. "Não consigo renovar minha matrícula e corro o risco de ter que pagar todas as mensalidades", diz Fernanda Milagres, de 28 anos. A universidade diz que o sistema só permite que ela imprima esse tipo de aditamento.

 

Montes Claros 11 de fevereiro de 2011

 

 

 
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