Gazeta do Povo - Curitiba-PR
O programa do governo federal Mais Educação, criado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2007 e que tem por objetivo implantar o ensino integral no Brasil, deverá chegar a 3 milhões de estudantes em 2011. O número é 677% maior do que o que existia em 2008: 386 mil. Mesmo com a ampliação, o salto ainda é considerado tímido. Isso porque uma das principais metas do novo Plano Nacional de Edu¬-cação é que metade dos estudantes tenha acesso ao ensino integral até 2020. Em 2010, o Censo Escolar da Educação Básica registrou 42 milhões de meninos e meninas na rede pública. Portanto, para se chegar à meta da próxima década, seria necessário aumentar em sete vezes o número de participantes do Mais Educação. Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Munici¬¬pais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, a ampliação do Mais Educação não chega a todas as prefeituras, mas é um bom começo. “O reflexo é positivo porque os municípios sozinhos não dão conta. Nossa expectativa é que ocorra uma ampliação significativa, apesar de sabermos que isso demanda tempo.” Com a ampliação do Mais Edu¬¬cação em 2011, as secretarias mu¬¬nicipais e estaduais de educação de 1.499 municípios em todo o país terão até o dia 28 de fevereiro para se inscrever no programa. A seleção das escolas partiu do baixo de¬-sempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). No Paraná, 115 escolas já foram pré-selecionadas pelo MEC.
A notícia da ampliação do programa foi bem recebida pelos municípios também porque o governo federal anunciou, no início da última semana, que o valor investido por aluno subirá R$ 300, passando de R$ 1,4 mil para R$ 1,7 mil. O crescimento é puxado principalmente pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que teve uma ampliação de 13% em 2011, chegando a R$ 94 bilhões. Com o programa, cada escola recebe cerca de R$ 37 mil direto na conta da associação de pais e professores. O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) garante menos burocracia no repasse de verbas e mais agilidade. Além disso, estimula que a escola conte com parceiros na própria comunidade para que o município não precise realizar um grande investimento em infraestrutura, por exemplo. A iniciativa mostra que, para implantar o ensino integral, não é necessário nenhum orçamento gigantesco, mas, sim, um gasto de qualidade.
No Mais Educação, cada escola decide quais atividades serão oferecidas e como será a distribuição. A verba disponibilizada pode, inclusive, ser utilizada para a contratação de educadores comunitários. Segundo o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o Mais Educação, porém, ainda falha por não estimular o debate sobre a melhoria da escola pública. “É um primeiro passo, mas é importante que se discuta o currículo e como devem ser as atividades, para que não se repita a péssima qualidade de ensino que temos hoje”, afirma. Ele acredita que tornar o ensino parcial oferecido hoje em integral é quase um castigo aos meninos e meninas. As crianças precisam passar mais tempo na escola, mas é necessário que seja em uma boa escola. Na opinião de Cara, os professores têm de ter objetivos pedagógicos e não repressores. “O argumento ocupacional não é válido. A criança precisa de convivência e aprendizado em um espaço lúdico.”